Açougueiro morre espancado por vingança após aparecer em vídeo em que presencia furto de carne no PR, diz polícia
Açougueiro espancado após vídeo viral em Jaguariaíva morre no hospital O açougueiro Alcides Miguel de Castro, de 53 anos, morreu nesta quarta-feira (14), t...
Açougueiro espancado após vídeo viral em Jaguariaíva morre no hospital O açougueiro Alcides Miguel de Castro, de 53 anos, morreu nesta quarta-feira (14), três dias depois de ser espancado no meio da rua em Jaguariaíva, nos Campos Gerais do Paraná. Segundo a Polícia Civil, ele foi agredido a pauladas no domingo (10) e estava internado desde então, mas não resistiu aos ferimentos. As investigações apontam que o homem foi atacado por vingança, após presenciar uma tentativa de furto no mercado onde trabalhava. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Ponta Grossa no WhatsApp Alcides Miguel de Castro tinha 53 anos Reprodução/Redes Sociais Segundo a polícia, Cide, como era popularmente conhecido, apareceu em um vídeo que mostra duas mulheres tirando carnes de dentro da bolsa depois de serem abordadas pelo segurança do estabelecimento. As imagens viralizaram nas redes sociais, o açougueiro foi reconhecido por familiares das mulheres, e o irmão de uma delas, acompanhado de um amigo, atacou Alcides e fugiu na sequência, diz a polícia. Horas depois, os dois homens foram encontrados e presos em flagrante. Os nomes deles não foram divulgados e ambos tiveram a prisão convertida em preventiva - ou seja, por tempo indeterminado. "A vítima foi covardemente atingida por reiterados golpes de paulada na região da cabeça. Mesmo após perder a consciência, as agressões continuaram, resultando em lesões gravíssimas e perda de massa encefálica. Alcides foi socorrido e encaminhado em estado gravíssimo ao hospital, explica o delegado William Arantes Nunes. "Cide" foi velado e sepultado em Jaguariaíva, na quarta-feira (14). Agora, a polícia continua ouvindo testemunhas e reunindo provas para finalizar o inquérito. Leia também: Acidente filmado: Empresária morre ao capotar caminhonete após ultrapassagem Poluição: Moradores denunciam mau cheiro e dono de indústria é preso; empresário foi liberado após pagar fiança de R$ 20 mil Crime: Genro acusado de empurrar sogra de 86 anos da escada vai a júri popular pela morte dela Luto A morte de "Cide" gerou comoção nas redes sociais. Muitos internautas que conheciam o açougueiro prestaram homenagens ao homem e demonstraram indignação em relação ao crime sofrido por ele. Veja o que diz uma das postagens, feita por Rafael Pomim: "Jaguariaíva sempre teve aquele hábito estranho de assistir à tragédia dos outros pela televisão, como se a distância do controle remoto fosse um talismã: acontece lá fora, aqui não. Mas hoje a tela apagou. Hoje a notícia saiu do noticiário e entrou pela porta de casa. Hoje uma cidade inteira chora Alcides Miguel de Castro, o Cide. Cide era um trabalhador comum, desses que a gente reconhece pelo avental, pela postura de quem acorda cedo e pelo respeito simples com que trata as pessoas. No balcão do açougue, entre pedidos, pesos e embrulhos, ele fez o que qualquer cidadão deveria poder fazer sem medo: apontou um erro, avisou quem tinha responsabilidade, confiou no certo. E então veio o absurdo. Veio a mensagem torta de uma época em que alguns acreditam que honra se lava no grito, na emboscada, na agressão; em que a culpa do outro vira desculpa para a violência; em que a covardia se fantasia de “justiça”. Não é justiça. É vingança. É a falência moral de quem escolhe ferir para se sentir forte. E, no fim, é sempre o inocente que paga a conta mais alta: a conta da vida, do silêncio definitivo, da cadeira vazia na mesa. Não dá para normalizar isso. Não dá para aceitar que, por causa de um fato pequeno, se acenda um incêndio que devora uma família inteira. Não dá para admitir que a rua vire tribunal e que o ódio vire martelo. Se o erro existe, há lei, há denúncia, há processo, há julgamento. O resto é barbárie. Jaguariaíva via isso na televisão. Hoje viu no próprio espelho. E há outra ferida, menos visível: quando um homem do bem cai, todos nós perdemos um pedaço de confiança. O comerciante fecha mais cedo, a mãe aperta a mão do filho, o amigo evita a esquina, e a cidade vai encolhendo. A violência não mata só uma pessoa: ela tenta matar a paz coletiva, o direito de voltar para casa em segurança, a certeza de que o trabalho honra. Que a morte de Cide não seja só luto, mas um alerta. Que a cidade escolha, com firmeza, o caminho do direito e da humanidade. E que a memória desse trabalhador, que confiou no certo, nos obrigue a dizer em voz alta: ninguém tem o direito de fazer justiça com as próprias mãos. Que a justiça seja feita pela lei, sem ódio, sem revanche já." Denúncias Saiba como denunciar crimes no Paraná A Polícia Civil do Paraná solicita a colaboração da população com informações que auxiliem em investigações. As denúncias podem ser feitas de forma anônima pelos números 197, da corporação, 181, do Disque-Denúncia, ou diretamente à equipe de investigação. Se o crime estiver acontecendo naquele momento e/ou houver alguém em situação de perigo, a Polícia Militar deve ser acionada pelo telefone 190. Vídeos mais assistidos do g1 Paraná: Leia mais notícias do g1 Campos Gerais e Sul Leia mais notícias da região em g1 Campos Gerais e Sul
