Cantor paranaense se torna vocalista de banda de ex-integrantes do Charlie Brown Jr. após tocar covers do grupo por 15 anos

  • 13/02/2026
(Foto: Reprodução)
Cantor paranaense se torna vocalista de nova formação do Charlie Brown Jr O cantor paranaense Rafael Carleto está realizando um sonho: representar o legado de um ídolo de infância ao lado de outros ídolos. Natural de Apucarana, no norte do estado, desde pequeno ele foi movido pela paixão pelo Charlie Brown Jr., e se dedicou a um projeto musical em tributo à banda durante 15 anos. Hoje, aos 36 anos, ele recebeu um convite de Marcão Britto e Thiago Castanho, guitarristas da formação original da banda, e se tornou vocalista de uma nova formação do grupo. Juntos eles se preparam para uma turnê acústica com o repertório do CBJR, marcada para começar no dia 30 de maio, em São Paulo. ✅ Siga o g1 Londrina e região no WhatsApp 🔎 Criado em Santos, no litoral paulista, o Charlie Brown Jr. se tornou um dos nomes mais influentes do rock brasileiro nos anos 1990 e 2000, misturando rock, rap, skate punk e reggae. Após a morte do vocalista Chorão, em 2013, a banda passou por diferentes fases e formações. Depois de uma disputa judicial com o filho do cantor, em setembro de 2024, a Justiça de São Paulo permitiu que os músicos Marcão e Thiago continuassem utilizando o nome da marca em apresentações, desde que associassem também o nome deles. Por esse motivo o projeto tem sido chamado de Charlie Brown Jr. — Marcão Britto e Thiago Castanho. Rafael Carleto começou a se apresentar com a banda em setembro de 2024, durante a turnê Celebração 30 Anos Charlie Brown Jr, idealizada por Marcão e Thiago. A química entre os músicos deu tão certo que, quando a nova turnê foi anunciada, ele foi convidado a seguir no projeto. Cantor paranaense se torna vocalista da nova formação do projeto que homenageia o Charlie Brown Jr. Murilo Para o cantor, a conquista é a realização do sonho do menino que, todos os dias após a escola, assistia "vidrado" ao DVD do CBJR. Hoje, é ele quem tem a responsabilidade de eternizar o legado de Chorão em cima do palco. "Eu me sinto privilegiado e abençoado. Estou buscando fazer o melhor que eu posso para representar com a minha identidade, não deixando de lado essa veia do Charlie Brown, que já vem com o Chorão e com o Champignon [guitarrista da banda, que também morreu em 2013], mas também trazendo um pouco da minha identidade e personalidade. Isso também é algo importante para o projeto", comentou Carleto. Antes da indicação para o posto, Carleto se destacou como vocalista da banda Viva F3 Charlie Brown Jr. Cover, grupo de tributo que percorreu diversas cidades do Brasil interpretando os clássicos do CBJR. Foi durante essas apresentações que o paranaense conheceu Marcão, abrindo caminho para o convite anos depois. O cantor fala com carinho sobre a recepção que recebeu de Marcão, Thiago e dos demais integrantes da banda. "É uma honra muito grande ter sido escolhido dentre todas as possibilidades que eles tinham. [...] A gente criou uma família ali, com os mesmos pensamentos e ideias de futuro. Tem sido algo bem legal. São todos monstros da música, que estão na elite em questão de nível musical. São mestres nos instrumentos que eles tocam, têm um nome muito forte no cenário da música e todos eles me receberam muito bem. Eu só tenho a agradecer a toda essa galera", comentou Carleto. Da esquerda para a direita, Marcão Britto, Thiago Castanho e Rafael Carleto. Cedidas/Rafael Carleto LEIA TAMBÉM Funcionário de farmácia morto a tiros: Autor esperou 'momento oportuno' por 42 minutos, diz sentença Crime: Ortopedista condenado cobrava entre R$ 50 e R$ 200 para cirurgias no SUS Vídeo: Onça-parda e filhotes são vistos passeando durante o dia em rodovia 🎶 Tudo que ele gosta de escutar Carleto descobriu a paixão pelo rock quando ainda tinha 7 anos. Foi nessa idade que o menino "pé-vermelho" passou a ter as primeiras percepções musicais. Não demorou muito para que o Charlie Brown Jr. surgisse na vida dele e se tornasse a banda preferida. "A primeira vez que eu ouvi Charlie Brown, foi a música 'Tudo Que Ela Gosta De Escutar,' na casa de um primo, em Apucarana. Eu lembro que, quando ele colocou aquela música, aquilo me despertou muito a atenção. Eu devia ter uns 10 anos", lembrou o paranaense. Carleto passou a acompanhar a banda pelos programas musicais da MTV e Multishow, e gravava os próprios CDs com as canções que mais gostava. Ele também ficava de ouvido ligado nas rádios e telefonava para pedir as músicas favoritas sempre que podia. Em 2002, Carleto foi presenteado pelo cunhado com um DVD de um show do Charlie Brown Jr. em São Paulo. "Eu devia ter uns 14 anos quando ganhei de aniversário e comecei a ouvir esse DVD todos os dias. Eu ia para aula de manhã e à tarde eu almoçava e colocava o DVD. Eu acho que fiquei, sem exagerar, pelo menos um ano ouvindo ele do início ao fim, todos os dias. Ali eu realmente virei fã", relembra. À esquerda, Chorão e Carleto em 2005. À direita, DVD presenteado pelo cunhado em 2002. Cedidas/Rafael Carleto Em 2005, o cantor teve a oportunidade de conhecer Chorão pessoalmente, durante um show do CBJR na Expo Londrina. Como conhecia algumas pessoas responsáveis pelo som da apresentação, ele conseguiu acesso ao camarim. Na ocasião, Carleto também conheceu os músicos Thiago e André Pinguim, que hoje fazem parte do novo projeto com ele. "Foi um dia sensacional na minha vida. Eu lembro que eu tava com o uma camiseta do Charlie Brown. Era uma foto do Chorão de 1998. Eu lembro que o Chorão pegou na camiseta e disse: 'Pô, eu tava mais novo aqui', daí ele assinou a camiseta e fez uma brincadeira. Ele tava numa 'vibe' muito boa naquele dia, então foi um momento bem legal", relembrou. 🎶 Dias de luta, dias de glória Aos 15 anos, o jovem paranaense montou a primeira banda com alguns amigos. Na época, o repertório era formado por clássicos do rock nacional e, claro, por canções do Charlie Brown Jr. O primeiro grupo não deu certo. Depois ele ingressou em outras bandas que também não vingaram. A carreira começou de verdade quando, em 2009, ele passou a fazer parte da Viva V3, grupo de Apucarana, que se apresentava com um repertório variado. Em 2010 a banda decidiu se dedicar exclusivamente ao repertório do CBJR, surgindo a Viva F3 Charlie Brown Jr. Cover. "Lembro que, na época, algumas bandas da região estavam se destacando fazendo cover. Aí a gente pensou: 'Qual banda a gente poderia fazer um cover pra poder ter esse diferencial, apelo comercial e que seja algo que a gente goste?' Aí veio a ideia do Charlie Brown Jr.", contou Carleto. Para fazer o cover, o grupo investiu nos detalhes. Os membros da Viva F3 se caracterizavam com roupas, bonés e até tatuagens falsas, idênticas às dos integrantes da banda. Assim como Chorão, Carleto também se arriscava com o skate em cima do palco. Segundo o paranaense, até mesmo os equipamentos e instrumentos eram da mesma marca, para trazer a mesma sonoridade da banda original. Carleto durante apresentações com a Viva F3 Charlie Brown Jr. Cover. Cedidas/Rafael Carleto A banda se apresentava por todo o Paraná. Mas depois das mortes de Chorão e do guitarrista Champignon, em 2013, a demanda pelos shows aumentou repentinamente. De acordo com Carleto, a Viva V3 chegou a fazer cerca de 80 apresentações por ano, com shows até no Paraguai. "Quando o Chorão faleceu, muitas bandas começaram a querer fazer cover, principalmente pela parte comercial, de venda. Porém, nós já tínhamos esse cover desde 2010, então já fazia quase três anos nessa época", afirmou. 🎶 Um dia a gente se encontra Carleto conheceu o Marcão Britto em 2014. Na época, o guitarrista tinha um projeto com bandas locais, o que possibilitou que eles fizessem um show juntos no Rio de Janeiro. Depois disso, a parceria continuou e eles chegaram a fazer mais de 20 apresentações juntos. "Ele acabou gostando da nossa banda e viu que realmente nós éramos fãs de Charlie Brown, que fazíamos esse projeto com muito respeito, muito carinho e profissionalismo. Então a gente criou esse relacionamento de amizade durante esse período que ele ficou tocando com a gente", relembra. Carleto e Marcão durante shows do projeto do guitarrista com bandas locais. Cedidas/Rafael Carleto Após um tempo parados, devido à pandemia da covid-19, Carleto e a Viva V3 foram retomando os shows aos poucos. Ao mesmo tempo, Marcão e Thiago se uniram para o projeto de celebração dos 30 anos do Charlie Brown Jr. No início, o vocal da banda foi ocupado por Egypcio, que havia deixado a banda Tihuana em 2017. Contudo, em 2024, o cantor voltou ao grupo de origem. Marcão e Thiago foram em busca de outro vocalista. "O Marcão me ligou, eu lembro que era uma sexta-feira. Fazia anos que eu não conversava com ele. Já tremi todo e pensei: 'Porque o Marcão tá me ligando?' Aí ele falou assim: 'Ó, não sei se você tá sabendo, mas a gente tá com um projeto de 30 anos do Charlie Brown aqui, o Egypcio vai sair e eu preciso colocar alguém para cantar no projeto. Queria saber se você tem interesse em estar vindo para Santos para a gente conversar e fazer parte desse projeto'. Levei um susto", contou. Animado com o convite, Carleto avisou a família sobre a novidade e 15 dias depois partiu para o litoral paulista. Após alguns ensaios e shows em cidades da região, o paranaense foi efetivado na banda. À esquerda, primeiro ensaio de Carleto como vocalista. À direita, primeiro show fazendo parte do projeto, em Santo André. Cedidas/Rafael Carleto 🎶 Tamo aí na atividade Carleto é casado, pai de dois filhos e empresário há sete anos, em Apucarana. No momento, deixar o Paraná não faz parte dos planos do cantor e, por isso, ele tem se dividido entre Santos e a cidade natal para dar conta da rotina de ensaios e shows. "Para eles [Marcão e Thiago] isso não foi um problema. A logística se torna um pouco mais complicada para fazer shows, mas a gente conseguiu se encaixar muito bem nisso. Eu, geralmente, encontro com eles no local do show. Quando tem que fazer um ensaio ou uma reunião, eu vou para Santos", explicou Carleto. Carleto, no entanto, diz que não descarta por completo a possibilidade de se mudar caso os projetos sigam de forma positiva e ele tenha que investir somente na carreira artística. No momento, o cantor diz que a prioridade é se dedicar à turnê. Sobre novos projeto com a banda, Carleto mantém segredo, mas afirma que alguns já estão sendo considerados. "Eu sou do tipo de pessoa que deixo muito Deus guiar meus passos. O importante é eu estar feliz, estar conseguindo corresponder à vontade e aos desejos do pessoal da banda, levar em consideração a família, são coisas que eu prezo. [...] Essa oportunidade veio e tem sido algo muito positivo na minha vida, mas o futuro a Deus pertence", finaliza. Vídeos mais assistidos do g1 Paraná: Leia mais notícias no g1 Norte e Noroeste.

FONTE: https://g1.globo.com/pr/norte-noroeste/noticia/2026/02/13/cantor-paranaense-se-torna-vocalista-de-banda-de-ex-integrantes-do-charlie-brown-jr-apos-tocar-covers-do-grupo-por-15-anos.ghtml


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